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MUNDO CRISTÃO

Cristãos Perseguidos do Iraque e Síria ainda precisam de ajuda para se reconstruir

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Cristãos Perseguidos do Iraque e Síria ainda precisam de ajuda para se reconstruir

Da redação

Voluntários do Centro de Esperança na Síria distribuem alimentos a cristãos perseguidos pela guerra Crédito: Portas Abertas 

O Estado Islâmico (EI) foi derrotado no Iraque e Síria, mas isso não significa que a pressão sobre a igreja nesses países tenha acabado. Apesar de o EI ter perdido a maior parte de seu território, ainda existem células “adormecidas” em ambos os países, além da presença de outros grupos radicais. Apesar da situação parecer controlada, o extremismo religioso e a violência contra cristãos continuam nesses dois países.

Os cristãos do Iraque relatam a falta de segurança e, por isso, muitos cristãos hesitam em voltar aos vilarejos na Planície do Nínive – região mais atingida pela ocupação do EI.

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Para apoiar esses cristãos, a Portas Abertas desenvolve vários tipos de projetos, como reconstrução de casas e igrejas, reabertura de escolas e bibliotecas e microcrédito. Faraydoun é um dos beneficiários de um projeto de microcrédito para seu negócio de criação de peixes em Dohuk, nas montanhas do norte do Iraque. Hoje ele está muito feliz, mas nem sempre foi assim.

Sua bem-sucedida fábrica em Bagdá, a capital do país, foi destruída por extremistas muçulmanos, que também ameaçaram sua família. Foi nessa ocasião que eles fugiram para Dohuk, onde se estabeleceram. Anos depois o EI começou a estender sua ocupação também no norte do país e a família da Faraydoun fugiu mais uma vez, indo para a Turquia como refugiados. Ele diz: “Quando o EI chegou, ficamos sem nada, sem parentes nem casas – eles nos tiraram tudo e nos expulsaram”.

Sobre o tempo na Turquia, ele diz que foi um grande desafio, devido à barreira linguística, em uma terra estranha e sem trabalho. Quando a coalizão formada pelas forças iraquianas aliadas dos EUA e do Irã, forças xiitas iraquianas e os guerreiros peshmergas curdos expulsaram o EI do Iraque, Faraydoun levou a família de volta a Dohuk. No entanto, o que encontraram os deixou devastados. A casa estava em desordem e eles ficaram sem nada. “Honestamente, eu chorei. Olhar para os meus filhos foi difícil. Quando lembro daquele dia, ainda dói”.

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A IGREJA COMO DOADORA DE ESPERANÇA NA SÍRIA

A igreja, cuja esperança está em Cristo, também funciona como uma doadora de esperança. É por isso que na Síria, o foco de ação da Portas Abertas está nos Centros de Esperança. Trabalhamos com igrejas locais para estabelecer esses centros, onde uma grande variedade de atividades é oferecida. Elas vão desde atividades para crianças a cursos para casais; de reunião de jovens a projetos de geração de renda. Há também distribuição de comida para os mais necessitados.

Na Síria, o trabalho tem possibilitado o funcionamento de 16 Centros de Esperança em todo o país. Um deles fica em Alepo, que era a capital econômica do país antes da guerra. No terceiro andar deste Centro de Esperança, há centro de distribuição de cestas básicas. Essa é uma das muitas atividades oferecidas. Ali, sete voluntários da igreja se dedicam à distribuição de alimentos seis dias por semana. “Chamamos de 150 a 200 pessoas por dia, para que nunca fique muito lotado”, esclarece um deles.

O pastor Abdallah, líder do Centro, diz: “Acredito que ainda precisamos ajudar as pessoas com comida. Quando Alepo se tornou um lugar seguro, os preços subiram drasticamente, assim como o aluguel. As pessoas não têm renda suficiente para dar conta do custo de vida”. O pastor continua descrevendo a necessidade das pessoas: “As famílias estão perplexas, confusas sobre o futuro. Estão sem emprego, suas casas estão destruídas. Elas estão confusas sobre sair ou ficar no país. Precisamos encorajar os cristãos a permanecer. Como igreja, queremos ficar ao lado das pessoas e ajudá-las, pois queremos ver um futuro melhor para Alepo e para a Síria”.

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APOIO A FAMÍLIAS MARCADAS POR PERDAS

Desde o começo da crise na Síria, a Portas Abertas respondeu às necessidades de muitos cristãos deslocados no país. Através de igrejas locais, assistíamos mais de 17 mil famílias por mês com comida e outros itens de ajuda emergencial. “Agora, diminuímos o número de cestas básicas, focando nas pessoas idosas doentes e sozinhas, famílias grandes sem o provedor, viúvas sem família e famílias com membros que têm doenças crônicas. E começamos a focar mais em projetos de geração de renda e nas atividades dos Centros de Esperança”, explica um colaborador da Portas Abertas na Síria.

Entre as pessoas que recebiam a cesta básica na Alliance Church em Alepo, estava Abraham Rajeh Beidoun. O idoso disse: “Eu pego a cesta básica para mim, minha nora e netos. Isso realmente nos ajuda, pois meu filho foi sequestrado cinco anos atrás”. Outro beneficiário, Amer Kadi, conta: “As condições se tornaram muito difíceis e, por isso, precisamos dessa ajuda. Seria muito difícil comprar toda essa comida. Isso faz uma grande diferença para nós, essa cesta alimenta ao todo quatro pessoas”. Um senhor entrou na sala guiando o filho deficiente visual.

Abdel Kader Sha’ban conta que perdeu a esposa em um bombardeio durante a guerra e que um de seus filhos foi sequestrado e continua desaparecido. Este que está com ele perdeu a visão enquanto servia no exército durante a guerra. Abdel diz: “As despesas são altas, meu salário é baixo e eu não tenho ninguém na família que possa trabalhar. Essa cesta nos sustenta por um mês”.

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