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Sínodo da Amazônia é ato político do Vaticano, aponta apóstolo Cesar Augusto

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Sínodo da Amazônia é ato político do Vaticano, aponta apóstolo Cesar Augusto

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O Sínodo da Amazônia que a Igreja Católica está realizando no Vaticano é um ato político na visão do apóstolo Cesar Augusto. O evento é liderado pelo papa Francisco, o mais progressista dos pontífices que comandaram a denominação nas últimas décadas.

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A reunião do episcopado da Igreja Católica com o papa serve para discutir assuntos específicos e pré-determinados, com a proposta de auxiliar na governança. No Sínodo da Amazônia, os bispos e cardeais devem tratar principalmente das missões católicas na região, mas temas ligados à proteção de povos indígenas e ao meio ambiente também devem ser abordados.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o apóstolo Cesar Augusto – um dos principais líderes neopentecostais do Brasil e notório apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PSL) – diz que a iniciativa da Igreja Católica ocorre em um momento errado.

“Não está certo tratar de um assunto que interfere diretamente em questões internas do Brasil”, diz o apóstolo. “Cabe ao governo e ao povo brasileiro cuidar da biodiversidade e do ecossistema, e também da possibilidade de explorar as riquezas a bem do país”, acrescenta o líder da Igreja Fonte da Vida.

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Cesar Augusto entende que o Vaticano tem interesse na internacionalização da Amazônia: “O Vaticano é um Estado, possui banco, governo, embaixadores, e tem uma forte influência na forma como tem sido conduzida a exploração indevida daquela região”, dispara.

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Confira a íntegra da entrevista:

Qual sua avaliação sobre o governo Bolsonaro até aqui?

É o melhor governo que o Brasil já teve. Autêntico, patriótico e coerente. As mudanças já estão acontecendo, resgatando os compromissos assumidos em campanha eleitoral, como por exemplo a estabilização da economia, o índice de contratação de empregos maiores que os últimos cinco anos, ações enérgicas que combatem a corrupção institucional, ajuste fiscal rígido e as principais reformas, sendo enfrentadas pela primeira vez, tendo os interesses nacionais acima de tudo.

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O governo tem se notabilizado pelas polêmicas. Num dia, Bolsonaro ironiza a mulher do presidente da França, no outro afirma que defecar menos ajuda a controlar a poluição ambiental e, no terceiro, fala sobre a morte do pai do presidente da OAB. Ele fala sem pensar ou é tudo cálculo político? 

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É o estilo dele, fala o que pensa. Mas aceita opiniões contrárias dentro do espírito republicano. Prefiro alguém transparente, que a nação conheça com clareza seus pensamentos, atos e palavras, do que os tantos outros que são ilusionistas do discurso. Mas é importante citar que o presidente nunca destratou a primeira-dama da França, e alguns de seus comentários são meros sarcasmos mal interpretados pela mídia.

O que Bolsonaro ganha com essas polêmicas de palanque?

O presidente conta com a opinião pública para se manter firme, cumprindo sua missão, seu propósito e seus compromissos de campanha. Creio que quando materializa seus pensamentos e suas ações, sendo transparente, inclusive quando reconhece seus erros, algo nunca antes visto por parte de uma autoridade, ele está conversando diretamente com o povo e mantendo-se fortalecido com quem realmente importa para ele.

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A Igreja Católica realizará nos próximos dias o chamado Sínodo da Amazônia. Bolsonaro disse que se trata de um evento político. O senhor concorda? 

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A hora é inoportuna. Sei que esse sínodo foi marcado em 2017, mas tratar de um assunto que interfere diretamente em questões internas do Brasil nesse momento não está certo. A maneira como se organiza e os temas de debate visam trazer ingerência externa contra a soberania nacional. A Amazônia é do Brasil. Cabe ao governo brasileiro e ao povo brasileiro cuidar da biodiversidade e do ecossistema. E também da possibilidade de explorar as riquezas a bem do país.

A Igreja Católica tem interesse na internacionalização da Amazônia?

Acredito que sim. O Vaticano é um Estado, possui banco, governo, embaixadores, e tem uma forte influência na forma como tem sido conduzida a exploração indevida daquela região.

É um Estado soberano que representa interesses de outras nações, e nós precisamos nos questionar: por que uma concentração tão grande de interesse numa região tão rica enquanto no sertão nordestino, pobre e desalentado, nunca fizeram nem uma conferência?

Veja bem, os evangélicos representam hoje uma presença em 53% das nações indígenas. E não há nenhum relato de interferência desses cristãos atuando contra os interesses da nação. Uma coisa é levar o evangelho, cuidar dos pobres e dos frágeis. Outra é defender uma ideologia e uma política estranha à soberania da nação que os acolhe.

O desmatamento da Amazônia é um problema real? 

Sempre foi um problema. Desde o descobrimento do Brasil até o presente momento. De 1990 a 2003 as taxas eram alarmantes, o que se repetiu de 2012 a 2013. Hoje temos enfrentado um grande desafio das queimadas em parte por conta de diversos fatores, entre eles a ocupação desordenada que tem causas históricas. Acredito que, na medida em que houver uma proposta de desenvolvimento sustentável para região, haverá uma melhora nesse problema.

Bolsonaro declarou que está na hora de escolher um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF. Religiosidade deve ser requisito para uma escolha desse tipo? 

Nunca ouvi o presidente dizer que se limitasse a escolher com base na religiosidade. Acredito que ele estava se referindo a valores. A par desses requisitos, entendo que o presidente está citando contemplar juristas que possuam também valores conservadores em relação à família, à vida e aos costumes.

Profissionais reconhecidos como o dr. André Mendonça, da AGU [Advocacia-Geral da União], o juiz Marcelo Bretas ou o advogado Ricardo Sayeg, o juiz federal Willian Douglas e o promotor de Justiça de Goiás Cristiano Motta. Enfim, existem diversas pessoas qualificadas dentro da Constituição e nas expectativas conservadoras da nação. Todos com idade apropriada, notável saber jurídico e honra ilibada. 

Em junho, o STF equiparou a homofobia a crime de racismo. Qual a sua opinião a respeito? 

Creio que era um assunto próprio para o Congresso, como representante da diversidade de pensamento de todos os cidadãos. Não vejo homofobia e racismo na mesma ótica. Acho que a homofobia é uma reação agressiva quanto à escolha da pessoa. Já o racismo agride a pessoa pelo que ela é originalmente.

Todos são iguais em direitos e obrigações e devem ser acolhidos pelo Estado e suas instituições protetivas de forma igualitária. Há na malha social outras distinções que não gozam das mesmas prioridades apesar de também padecerem sofrimentos.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, mandou recolher uma história em quadrinhos que tinha a imagem de um beijo gay. Foi um ato de censura? Foi um ato homofóbico? 

Foi um ato de gestão administrativa. Há uma determinação legal pelo Estatuto da Criança do Adolescente (ECA), que determina que deveria haver lacre e identificação do conteúdo. O prefeito cumpriu a lei.

Como o senhor lida com um eventual fiel que se declara homossexual? A igreja tenta convertê-lo? 

A igreja acolhe. O ser humano e suas diversas formas de ser e se expressar sempre serão acolhidos e bem recebidos na igreja. Mas há certas práticas que são frontalmente contrárias à natureza humana, e a palavra de Deus nos alerta sobre isso. Mas não cabe a igreja, nem a ninguém, julgar, mas também não podemos ficar alheios à função profética da igreja que é anunciar a palavra independente dos conceitos humanos.

Qual a sua opinião sobre a conduta do governador Doria no episódio das apostilas que falava sobre diversidade sexual? Primeiro, ele mandou recolher. Depois, desistiu de recorrer da decisão judicial que ordenou a devolução. 

O meio evangélico aprova valores, e não pessoas. As pessoas que se posicionam nos valores que acreditamos terão sempre nosso apoio. Nesse caso específico, as autoridades competentes devem resguardar a inocência das crianças e adolescentes.

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